27 de jun de 2011

Apresentação Final



Analisando a população brasileira, e de Uberlândia, em relação aos tipos familiares atendidos por programas governamentais como o Minha Casa Minha Vila, é possível observarmos que certos tipos não são atendidos pelos programas. O mais expressivo entre eles é o do casal sem filhos. Nas próprias fichas de seleção para o recebimento do benefício, é deixado claro que as casas irão para grupos familiares que consistem basicamente de mãe, pai e filhos.
Com isso em mente, planejei para meu projeto um espaço que o grupo dos casais sem filho houvesse predileção, mas não excluindo a existência de outros grupos expressivos, como a família nuclear e a coabitação.
Sendo assim, a divisão entre as unidades foi: 6 tipologias para a família nuclear, 4 para a coabitação, 10 para os casai sem filho e 5 adaptadas para cadeirantes (3 para casais sem filho, 1 para coabitação e 1 para família nuclear).
Foi planejado que o projeto tivesse o mesmo público alvo economicamente falando dos projetos de Habitação de Interesse Social do Brasil, para indíviduos de faixa de renda de até 3 salários mínimos.

Para criar uma unidade que se diferenciasse das demais comumente produzidas em solo brasileiro, buscando uma organização espacial com mais qualidade, sem aumentar o preço final da construção, foi-se necessário realizar uma extensa pesquisa de novas materialidades do mercado, sendo escolhido assim um sistema construtivo não tão recente, porém de pouca utilização em território brasileiro. No projeto utilizo o sistema de Light Steel Frame, aliado com pilares metálicos, e placa cimentícias. A laje constitui-se de um steel deck banhado em concreto. Já a cobertura possui suas estruturas também em LSF, forro de gesso e telhas recicláveis ECOTOP, produzidas em território brasileiro com tubos de pasta de dente moídos e tratados.

Com as unidades habitacionais definidas, partimos para a escolha e análise do terreno. O terreno escolhido se localiza no bairro Nossa Senhora da Aparecida, na cidade de Uberlândia – MG. É um bairro localizado próximo a região central da cidade, contrariando o fato dos programas habitacionais serem implantados em regiões periféricas dos municípios. Está entre o cruzamento da Rua Salvador com a Afonso Pena e a Rua Natal. Suas medidas aproximadas são de 80x48m, com uma área de 3600 metros quadrados, indo de ponta a ponta da quadra, possuindo acessos pela rua Natal, Salvador e Afonso Pena. Em seu entorno, o comércio é basicamente de concessionárias de veículos, edificações residenciais térreas e um único grande supermercado, o Cristo Rei.

O terreno está com uma inclinação de 55˚ em relação ao norte, com vendo vindo do nordeste sem obstruções. Ele também possui uma leve inclinação, subindo em direção a Av. Afonso Pena.

A primeira decisão projetual tomada foi em relação ao terreno. Optei por modificar as curvas de nível, buscando criar um espaço que fosse mais interessante para a implantação de minhas unidades. O lado do terreno que não possui acesso para qualquer rua, tem contato direto com o lote vizinho por meio de um muro. Optei por rebaixar essa região em 2,8m, criando assim uma área que coubesse as 25 vagas de estacionamento necessárias. Essa área foi coberta por uma laje, que vem do nível da calçada, e nela há o funcionamento de espaços para uso coletivo, como uma Panificadora, um Salão de Beleza e uma casa para Costura (atividades definidas de acordo com os estabelecimentos mais encontrados nos bairros exclusivamente residenciais). Há também uma parte exclusiva para uso dos moradores da vila, com sala de reunião, centro de convivência e um pequeno salão de festas. O entorno é constituído como uma praça seca. Uma pavimentação simples de piso, com blocos intertravados, e uma vegetação de gramíneas e arbustos de pequeno porte, para não sobrecarregar a estrutura, com a instalação de bancos e mesas pelo local. Pela laje, temos acesso direto ao terreno por meio de escadas e rampas. A estrutura desse espaço é convencional, apoiado por meio de pilares de concreto vindos do estacionamento.

Saindo do estacionamento, nos deparamos com uma declividade maior do terreno, que bloqueia em partes uma vista total imediata deste. Ao subir um pouco, a visão deste se abre, podendo assim observar todo o conjunto deste. O piso é basicamente grama e caminhos de bloquetes intertravados, que levam aos Blocos residenciais, com arbustos de médio porte espalhados pelo local. Há uma pequena área, próxima ao estacionamento, com arbustos e árvores de maior porte, criando assim uma praça com uma vegetação mais frondosa, oferecendo mais sombra para os moradores, com a instalação de alguns equipamentos, como bancos, mesas e alguns aparelhos para esporte e diversão, seja de crianças ou idosos.
Todo o terreno é circundado por uma cerca de 1,2m, diretamente da calçada, sendo que 60cm desta é de alvenaria convencional, e os outros 60cm de certa metálica permeável, que permite que haja a visão da vila, criando assim uma barreira sem grande impacto visual, mas que ainda sim inibe a entrada de curiosos. Há 3 acessos de pedestres pela calçada, tirando os acessos pela praça seca: dois pela Afonso Pena e um pela Natal, sendo que a Salvador foi escolhida para abrigar a área do depósito do lixo a ser coletado.
Próximo ao estacionamento, temos um sistema para a coleta da água que vem da chuva, descendo até este graças a nova declividade do terreno, por meio de canaletas e pequenos depósitos, que armazenam a água para uso na irrigação da vegetação do próprio terreno.

Para a implantação das 25 unidades, criou-se 12 blocos, cada um com duas unidades empilhadas e um com apenas uma unidade. Graças as diferentes quantidades de cada tipologia, além da intenção de criar um espaço diferente, não monótono, obtive 7 tipos de Blocos, que foram implantados, alguns com algumas repetições, pelo terreno.  Todas as unidades estão empilhadas de modo que as instalações e estrutura estejam conectadas. Os pilares do térreo estão encontrados com os pilares do primeiro pavimento, assim como as paredes hidráulicas das unidades estão compartilhadas. Aproveitando o compartilhamento das instalações hidráulicas, cada bloco contém sua própria caixa d’água, em um bloco elevado da cobertura, localizado em cima do banheiro e da cozinha. Isso evitou-se a cara instalação de uma caixa d’água isolada no terreno.


Foram obtidos seis diferentes unidades habitacionais. Uma para DINC, outra para Coabitação e outra para a família nuclear. As outras três são modelos adaptados destas mesmas tipologias para serem acessíveis a cadeirantes.

A unidade para um tipo DINC possui apenas um quarto, sala, cozinha, banheiro e área de serviço, com aproximadamente 40 metros quadrados. A coabitação possui o mesmo programa, mas com dois quartos, e aproximadamente 50 metros quadrados. Já a unidade destinada a uma família convencional possui dois pavimentos tipos iguais ao da DINC, sendo que no térreo temos a sala, banheiro, cozinha, área e serviço e um quarto. No outro, temos dois quartos, banheiro, uma varanda e uma sala que pode ser usada como escritório, seja para trabalho ou estudo dos componentes da família.

Devido ao fato do sistema ser modulado em todas suas etapas, seja distribuição espacial, de estrutura, instalação e faces de fechamento, o “empilhamento” das unidades em bloco não ofereceu dificuldades, pois a modulação permitiu que tudo se encontrasse. Não há desencontro de estrutura, ou de instalações, nem mesmo de faces. Para criar uma maior dinamicidade, alguns blocos de unidades empilhadas foram rotacionados, ou até mesmo unidos com outros, criando assim diferentes tipologias de implantação. Todos os blocos possuem duas unidades, alguns com dois pavimentos, outros com três, graças a adoção do partido familiar de dois pavimentos. O acesso aos pavimentos superiores se dá por meio de escadas metálicas permeáveis.
Planta Terreno Térreo

Planta Terreno Estacionamento



Planta de Cobertura


Planta do Segundo Pavimento

Planta do Primeiro Pavimento


Planta do Térreo

Planta Tipo 1

Planta Tipo 2

Planta Tipo 3

Planta Tipo 4

Planta Tipo 5

Planta Tipo 6

Planta Tipo 7
Planta de Cobertura das Tipologias

 

Perspectiva do Terreno

Perspectiva do Terreno
Corte

Corte

Corte

Corte

Corte
Layout Familia Nuclear
Layout Coabitação Adaptada

Layout Coabitação

Layout DINC adaptada

Layout DINC
Elevação
Elevação

Elevação

Perspectiva

Elevação


Perspectiva da Implantação

Planta

Elevação

Elevação

Elevação

Elevação

Corte

Corte

Perspectiva dos blocos

Perspectiva dos blocos

Perspectiva dos Blocos

Perspectiva dos blocos

13 de jun de 2011

Implantação







As unidades

Modelo DINC

Modelo Cohab

Modelo Familiar (Primeiro pavimento e térreo)

Modelos adaptados (Dinc, Cohab, Familiar, respectivamente)